Exames Perto

Preparo de exames

Pode tomar remédio antes do exame de sangue?

Por Redação do Exames Perto. Publicado em (revisão da mesma data).

A resposta

Quem decide se o remédio muda antes do exame é o profissional que o prescreveu: as instruções públicas de coleta dizem para não alterar o uso por conta própria e para avisar o laboratório de tudo o que você toma. A Prefeitura de Belo Horizonte e o HU-USP escrevem isso com todas as letras. O papel do laboratório é registrar o que está em uso e o horário da última dose, porque alguns medicamentos alteram resultados.

Por que o remédio entra no preparo

A recomendação da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) para coleta de sangue venoso lista o uso de fármacos entre as causas de variação dos resultados. O efeito pode ser no organismo, quando o medicamento muda a produção ou a excreção de uma substância, ou no próprio teste, quando a molécula interfere na reação do laboratório.

Por isso, para que alguns exames tenham valor clínico, a SBPC/ML pede que o laboratório registre o horário da coleta e o uso de determinados medicamentos, incluindo tempo de uso e dose. Para o laboratório, o remédio em uso é uma informação que acompanha a amostra e entra na leitura do médico.

Quem orienta o quê

Segundo a SBPC/ML, o médico que pede o exame deveria ser a primeira pessoa a instruir o paciente sobre o preparo, inclusive sobre a eventual interrupção de algum medicamento. O laboratório entra depois, com as informações complementares: horário, jejum, frasco, local de coleta.

Os manuais de laboratórios públicos seguem essa divisão. O manual do Hospital Universitário Júlio Bandeira (UFCG) cita medicamentos que podem interferir em dosagens como creatinina e bilirrubina, e em todos os casos escreve que qualquer ajuste fica a critério médico. A Prefeitura de Belo Horizonte orienta que, durante o jejum, o paciente pode beber água e não deve interromper medicamentos sem autorização do médico. O HU-USP resume: o uso do remédio só muda se o médico mandar.

Se você usa medicamentos receitados por profissionais diferentes, a conversa é com cada um deles, e o laboratório registra o que foi combinado.

O que o laboratório costuma perguntar

Todas as instruções de coleta do HU-USP terminam com o mesmo pedido: avisar no laboratório se você estiver tomando remédio. A SBPC/ML lista os aspectos relevantes que o paciente informa na coleta. Vale levar escrito, porque a pergunta costuma vir na recepção e poucas pessoas lembram a dose de cabeça.

  • Nome de cada medicamento de uso contínuo e a dose.
  • Horário da última tomada antes da coleta.
  • Há quanto tempo usa cada um.
  • Medicamentos comprados sem receita e outras substâncias em uso, mesmo as que não são remédio.
  • Uso recente de laxante, supositório ou antibiótico, que várias instruções citam.
  • Procedimento diagnóstico ou tratamento feito nos dias anteriores, como exame com contraste ou colonoscopia.

Tomar remédio quebra o jejum?

Nas instruções públicas consultadas, o remédio de uso contínuo tomado com um pouco de água não aparece como quebra de jejum; o que conta como água está em pode beber água em jejum. A Prefeitura de Belo Horizonte trata os dois juntos: água liberada e medicamento mantido, salvo autorização médica. O protocolo de ultrassonografia do Hospital Universitário Ana Bezerra (UFRN) registra que os medicamentos de uso diário podem ser tomados com água no dia do exame.

O que pode mudar é o horário, e essa decisão é de quem prescreveu. O consenso brasileiro de 2016 sobre perfil lipídico lembra que o jejum prolongado aumenta o risco de hipoglicemia em quem usa insulina, um dos motivos pelos quais pessoas com diabetes costumam combinar o horário da coleta e do remédio com o médico. Os tempos de jejum por exame estão em quantas horas de jejum.

Exames em que o horário da dose pesa mais

Nos exames de monitoração terapêutica, que medem o nível de um medicamento no sangue, a SBPC/ML pede que o laboratório registre o horário da última dose, a dose e a via de administração. Sem isso, o resultado não pode ser comparado.

Na urocultura, a instrução do HU-USP pede que o exame seja feito antes de começar o antibiótico e, para quem já está tomando, remete à orientação médica. Na urina de 24 horas, a SBPC/ML registra que o uso de alguns medicamentos pode ser interrompido por 48 a 72 horas antes da coleta, sempre a critério médico. Na pesquisa de sangue oculto nas fezes, a Prefeitura de Belo Horizonte orienta que quem usa aspirina ou anti-inflamatórios procure o médico antes da coleta.

Exames de imagem e endoscopia

Em exames com sedação ou preparo intestinal, o serviço costuma entregar orientação escrita para cada medicamento de uso contínuo, e ela varia de um serviço para outro. O roteiro de colonoscopia do Hospital das Clínicas da UFPE, por exemplo, traz instrução específica sobre o remédio de pressão no dia do exame. Veja preparo para colonoscopia, preparo para endoscopia, preparo para ressonância magnética e preparo para ultrassom do abdome.

Se a instrução do serviço de imagem e a orientação de quem prescreveu parecerem diferentes, a combinação final é com quem prescreveu, e o serviço é avisado antes do exame.

Exames que costumam pedir este preparo

Outras perguntas de preparo

Dúvidas frequentes

Pode tomar remédio de pressão antes do exame de sangue?

Quem define é o profissional que prescreveu. As instruções públicas de coleta, como as do HU-USP e da Prefeitura de Belo Horizonte, dizem que o uso do remédio não muda sem autorização médica. Informe no laboratório o nome, a dose e o horário da última tomada.

Pode tomar remédio da tireoide antes do exame de TSH?

As fontes consultadas não trazem regra específica para esse caso. O horário da dose é combinado com o médico que pediu o exame e com quem prescreveu o remédio, e o laboratório registra o horário da última tomada.

Pode tomar dipirona ou remédio para dor antes do exame de sangue?

As instruções de coleta pedem que o paciente avise todo medicamento em uso, inclusive os comprados sem receita. Se a dúvida é tomar ou não na véspera, a conversa é com o médico que pediu o exame ou com o próprio laboratório.

Tomar remédio quebra o jejum do exame?

Nas instruções públicas consultadas, o remédio de uso contínuo tomado com um pouco de água não é tratado como quebra de jejum. O horário pode ser ajustado por quem prescreveu, e o laboratório registra a informação.

Preciso levar a receita ao laboratório?

As fontes não exigem a receita, mas pedem a informação: nome, dose, tempo de uso e horário da última tomada. Levar a lista escrita ou a receita facilita o registro.

Fontes e revisão

  1. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso (2ª edição), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
  2. Instrução de coleta IC BIO 001: sangue, procedimentos gerais, Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
  3. Instrução de coleta IC MIC 001: urina, cultura de aeróbios (urocultura), Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
  4. Preparo para exames, Prefeitura de Belo Horizonte, Secretaria Municipal de Saúde.
  5. Manual de orientações de preparo para exames ambulatoriais (MA.UAD.004), Hospital Universitário Júlio Bandeira de Mello (HUJB-UFCG/Ebserh).
  6. Recomendações da SBPC/ML: realização de exames em urina, Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
  7. Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico (versão 1.13), SBPC/ML, SBAC, SBC, SBD e SBEM.
  8. POP.UDIDE.079: preparo e realização dos exames de ultrassonografia (versão 3), Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN/Ebserh).
  9. Preparo de exame: colonoscopia (exame pela manhã), Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE/Ebserh).

Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.