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Preparo de exames

Pode fazer exame de sangue sem jejum?

Por Redação do Exames Perto. Publicado em (revisão da mesma data).

A resposta

Pode, para boa parte dos exames de sangue: a Prefeitura de Belo Horizonte dispensa jejum fora de uma lista curta, e o consenso brasileiro de 2016 permite colher colesterol e triglicérides sem jejum. A glicemia de jejum, o ferro sérico e alguns outros exames continuam exigindo jejum, e parte dos laboratórios ainda pede algumas horas até para o hemograma. Se você comeu antes da coleta, conte ao atendente: o laboratório decide se colhe, registrando o tempo de jejum, ou se remarca.

Exames que em geral dispensam jejum

A regra geral mudou com o tempo, e hoje os serviços públicos divergem. A rede municipal de Belo Horizonte, em página atualizada em 2025, pede 8 horas de jejum apenas para glicose de jejum, triglicérides, ferro sérico, insulina e peptídeo C, e informa que os demais exames dispensam jejum. O Conselho Regional de Biomedicina da 3ª Região afirma que o jejum não é necessário para a maioria dos exames de sangue, com a recomendação de fazer apenas refeições leves antes, e cita o hemograma, os hormônios da tireoide T3 e T4 e o teste de gravidez.

Outros serviços são mais conservadores. A recomendação da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) considera habitual o jejum de 8 horas, que pode ser reduzido a 4 horas para a maioria dos exames. O HU-USP pede no mínimo 3 horas de jejum para adultos na instrução geral de sangue, e o manual do hospital universitário da UFCG aconselha 4 horas para hemograma completo, TSH, T4 livre e beta-hCG. O número que vale é o do laboratório onde você vai colher.

Exames em que o jejum é exigência formal

Alguns exames continuam dependendo do jejum. O Conselho Regional de Biomedicina chama de exigência formal o jejum de 8 horas para a glicose usada no diagnóstico de diabetes. A Sociedade Brasileira de Diabetes considera jejum a ausência de ingestão calórica por 8 a 12 horas, e é essa condição que dá nome à glicemia de jejum.

No perfil lipídico, as fontes divergem. O consenso de 2016 da SBPC/ML, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e de outras três sociedades permite colher colesterol total e triglicérides sem jejum, com o estado de jejum informado no laudo. O HU-USP ainda pede de 12 a 14 horas, e a Prefeitura de Belo Horizonte, 8 horas para triglicérides. Os detalhes por exame estão em jejum para exame de sangue.

  • Glicemia de jejum: 8 horas, sem passar de 12 no HU-USP.
  • Curva glicêmica: de 8 a 12 horas no HU-USP, com repouso durante o teste.
  • Ferro sérico: 8 horas, com coleta pela manhã, na UFCG e em Belo Horizonte.
  • Insulina e peptídeo C: 8 horas na rede de Belo Horizonte.
  • Colesterol e triglicérides: de nenhum jejum a 14 horas, conforme o serviço.

Exame de sangue sem jejum: o que acontece

A SBPC/ML explica que, depois de uma refeição, o soro costuma ficar turvo, e essa turbidez pode interferir em algumas metodologias de análise. O Conselho Regional de Biomedicina acrescenta um segundo efeito: substâncias como glicose, insulina e triglicérides variam com a alimentação, e muitos valores de referência foram estabelecidos em pessoas colhidas em jejum.

Por isso o jejum importa mais em uns exames do que em outros, e por isso os laboratórios não dão a mesma resposta. O Conselho Regional de Biomedicina observa que alguns equipamentos detectam e tratam a amostra turva, e que a liberação do jejum ainda é específica de cada laboratório para grande parte dos exames. Quando a coleta é feita sem jejum, o consenso de 2016 recomenda que o tempo de jejum informado apareça no laudo, e é o médico que pediu o exame quem lê o resultado com essa informação.

Quebrei o jejum do exame de sangue: o que fazer

O caminho é contar ao atendente, antes da coleta, o que foi ingerido e a que horas. O laboratório decide se colhe mesmo assim, registrando a informação, ou se remarca. A decisão depende dos exames do pedido: um hemograma e uma glicemia de jejum não têm a mesma sensibilidade à refeição.

Omitir a informação é o pior cenário. O Conselho Regional de Biomedicina lembra que o laboratório não tem como verificar se a pessoa está em jejum, e que às vezes o paciente omite uma ingestão, por esquecimento ou por achar que ela não quebra o jejum. Café com açúcar, leite, suco e bala entram nessa conta; as dúvidas sobre café estão em pode tomar café antes do exame de sangue e as sobre água em pode beber água em jejum.

Pode fazer exame com mais de 12 horas de jejum?

Jejum longo também atrapalha. A SBPC/ML recomenda evitar coletas depois de períodos muito prolongados de jejum, acima de 16 horas. O Conselho Regional de Biomedicina chama de jejum prolongado o que passa de 14 horas e explica que, depois disso, o corpo passa a consumir reservas de energia e alguns indicadores do sangue se alteram momentaneamente. Segundo o conselho, os laboratórios costumam colher acima de 14 horas de jejum só em urgência, com o médico ciente.

As instruções de hospital são mais estritas: o HU-USP limita o jejum da glicose a 12 horas e o do perfil lipídico a 14 horas, e o manual da UFCG aceita de 8 a 14 horas para a glicose. Se o horário da coleta atrasou e o jejum passou do limite, avise o atendente.

Quando o jejum longo é um risco

O consenso de 2016 registra que a coleta sem jejum é mais segura em várias situações: em pessoas com diabetes que usam insulina, pelo risco de hipoglicemia no jejum prolongado, em gestantes, em crianças e em idosos. O Conselho Regional de Biomedicina faz o mesmo alerta e diz que, nesses grupos, o tempo mínimo de jejum é combinado com o médico.

Para crianças, a SBPC/ML diz que o jejum acompanha os intervalos de alimentação e, nas de baixa idade, pode ser de 1 ou 2 horas em situações especiais. Quem usa medicamento de uso contínuo encontra o que dizem as fontes em pode tomar remédio antes do exame de sangue.

Urgência e exames no hospital

Em urgência, o jejum não é pré-requisito. O Conselho Regional de Biomedicina lembra que, em situações de emergência ou urgências hospitalares, a ausência de jejum pode ser aceita, desde que registrada no laudo. É a equipe que atende quem decide os exames e o momento da coleta.

Exames que costumam pedir este preparo

Outras perguntas de preparo

Dúvidas frequentes

Pode fazer hemograma sem jejum?

Depende do laboratório. A rede municipal de Belo Horizonte dispensa jejum para o hemograma, o HU-USP pede no mínimo 3 horas e o manual da UFCG aconselha 4 horas. Se o hemograma vier com glicemia no mesmo pedido, costuma valer o jejum da glicemia.

Exame de sangue sem jejum: o que acontece?

Depois de uma refeição, o soro pode ficar turvo e algumas substâncias, como glicose e triglicérides, variam. Por isso o laboratório registra o tempo de jejum e decide se colhe ou remarca. A leitura do resultado é do médico que pediu o exame.

Quebrei o jejum do exame de sangue, o que fazer?

Conte ao atendente o que comeu ou bebeu e a que horas, antes da coleta. O laboratório decide se colhe mesmo assim, registrando a informação, ou se remarca. Omitir a ingestão é uma causa conhecida de amostra colhida fora da condição pedida.

Pode fazer exame com mais de 12 horas de jejum?

A SBPC/ML recomenda evitar coletas acima de 16 horas de jejum, e os serviços usam limites menores: 12 horas para glicose e 14 horas para o perfil lipídico no HU-USP. Se o jejum passou do limite, avise o atendente.

Colesterol pode ser feito sem jejum?

Pelo consenso brasileiro de 2016, sim, com o estado de jejum informado no laudo. Parte dos serviços ainda pede 12 horas ou mais, e o laboratório segue o tempo escrito pelo médico no pedido, quando houver.

Fontes e revisão

  1. Preparo para exames, Prefeitura de Belo Horizonte, Secretaria Municipal de Saúde.
  2. Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico (versão 1.13), SBPC/ML, SBAC, SBC, SBD e SBEM.
  3. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso (2ª edição), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
  4. Necessidade de jejum para coleta de sangue, Conselho Regional de Biomedicina da 3ª Região (CRBM-3).
  5. Diagnóstico de diabetes mellitus (Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes), Sociedade Brasileira de Diabetes.
  6. Instrução de coleta IC BIO 001: sangue, procedimentos gerais, Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
  7. Instrução de coleta IC BIO 002: colesterol total e frações ou triglicérides, Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
  8. Instrução de coleta IC BIO 003: glicose, insulina ou eletroforese de proteínas, Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
  9. Manual de orientações de preparo para exames ambulatoriais (MA.UAD.004), Hospital Universitário Júlio Bandeira de Mello (HUJB-UFCG/Ebserh).

Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.