Exames Perto

T4 livre: preparo, cobertura e onde fazer

Por Redação do Exames Perto. Publicado em (revisão da mesma data).

O exame de T4 livre (T4L) mede a tiroxina livre, a parte do hormônio tiroxina, produzido pela tireoide, que circula no sangue sem estar ligada às proteínas transportadoras. É um exame diferente do T4 total: o manual de preparo do hospital universitário da UFCG, por exemplo, lista a dosagem de tiroxina (T4) e a de tiroxina livre (T4 livre) como itens separados.

O T4 livre costuma ser pedido junto com o TSH. No protocolo de hipotireoidismo da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, TSH e T4 livre formam a dupla da investigação da função da tireoide, e o T4 livre também aparece ao lado de anticorpos como o anti-TPO quando o médico precisa confirmar um achado. O pedido e a leitura do resultado cabem ao médico.

O preparo, item a item

Jejum
O hospital universitário da UFCG considera aconselhável 4 horas de jejum para o T4 livre; o HU-USP pede no mínimo 3 horas para coletas de sangue em geral acima de 5 anos; a Prefeitura de Belo Horizonte não exige jejum para ele. Com glicemia ou colesterol no mesmo pedido, costuma valer o jejum mais longo.
Biotina
O T4 livre é medido por imunoensaio competitivo, e a SBEM-SC explica que, nesse tipo de ensaio, o excesso de biotina de suplementos em dose alta pode produzir resultado falsamente elevado quando o método usa biotina-estreptavidina. A SBEM-SC lembra que muita gente não relata o uso por considerar a biotina um suplemento e não um remédio. O uso é informado no atendimento, e a conduta é combinada com o médico.
Medicamentos
Quem usa levotiroxina ou outro remédio para a tireoide informa o laboratório; o protocolo municipal de São Paulo cita ainda remédios como amiodarona e lítio entre os que afetam a tireoide. O horário da dose no dia da coleta é combinado com quem prescreveu, e o HU-USP orienta não interromper remédio sem ordem médica.
Água
Água pura é liberada durante o jejum nas instruções do HU-USP e da Prefeitura de Belo Horizonte.
Mais sobre este preparo

Como é feito

A coleta é de sangue venoso, em geral na dobra do cotovelo, feita em poucos minutos e sem sedação nem contraste. O sangue vai para um tubo de soro, com ativador de coágulo, que a SBPC/ML associa aos exames de hormônios. A sensação costuma ser a de uma picada, e o local é comprimido por 1 a 2 minutos depois da retirada da agulha para evitar hematoma.

Moléculas pequenas como a tiroxina são medidas por imunoensaio competitivo, no qual o sinal é inversamente proporcional à quantidade do hormônio, segundo a SBEM-SC. Nesse desenho, a biotina em excesso bloqueia o sinal e o resultado aparece falsamente alto; no TSH, medido por ensaio do tipo sanduíche, o efeito é o contrário. A SBEM-SC registra que a interferência varia com o analito, o desenho do ensaio e o fabricante, e que a repetição com um ensaio sem biotina é uma alternativa.

Na correlação oficial entre o Rol da ANS e a tabela TUSS, o T4 livre se liga ao código próprio de T4 livre e ao das provas de função tireoidiana, que reúne T3, T4, índices e TSH. Por isso a guia do plano pode trazer um código de pacote ou o código isolado.

O T3, a ultrassonografia da tireoide e os anticorpos antitireoidianos são exames diferentes, que podem aparecer no mesmo pedido conforme a avaliação do médico.

Prazo do resultado

Em geral, de 1 a 3 dias úteis; no hospital universitário da UFCG, o setor de imunologia e hormônios libera em até 30 horas. O prazo varia por unidade e por método.

Tipo de estabelecimento

Laboratório clínico ou posto de coleta, em geral sem agendamento; o horário de coleta segue a rotina de cada unidade.

Cobertura pelo plano

Consta no Rol da ANS

Versão consultada: RN 465/2021, atualizada até a RN 678/2026, de 1º de setembro de 2026.

Segmentação em que a cobertura mínima se aplica: ambulatorial, hospitalar com obstetrícia, hospitalar sem obstetrícia e referência.

Termo no Rol: T4 livre.

No T4 livre, a cobertura mínima definida pela ANS costuma se aplicar às segmentações ambulatorial, hospitalar com ou sem obstetrícia e referência. A ANS informa que a lista obrigatória vale para planos contratados a partir de 2 de janeiro de 1999 e para os antigos adaptados à Lei dos Planos de Saúde; o resto do mecanismo está em o Rol da ANS.

Não há diretriz de utilização da ANS para este exame. Passada a carência, a ANS fixa em 3 dias úteis o prazo máximo para a operadora garantir exame de laboratório de análises clínicas em regime ambulatorial, em algum prestador da rede credenciada. A operadora confirma a segmentação do contrato e onde fazer; em caso de negativa, veja plano negou exame.

Fonte: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. Veja também o que é o Rol da ANS e o caminho quando o plano nega o exame.

Consta no Rol da ANS, RN 465/2021, atualizada até a RN 678/2026, de 1º de setembro de 2026. Cobertura mínima obrigatória está sujeita à segmentação do plano, à carência e, quando houver, à diretriz de utilização. Consulte sua operadora.

Pelo SUS

Gratuito para o paciente

Pelo SUS, o exame é gratuito para o paciente. A tabela SIGTAP tem o procedimento DOSAGEM DE TIROXINA LIVRE (T4 LIVRE), entre os exames hormonais. O caminho usual começa na UBS, que o Ministério da Saúde descreve como a principal porta de entrada do SUS, com o pedido feito na consulta e a coleta na unidade ou no laboratório de referência do município.

O protocolo de hipotireoidismo da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo é um exemplo de como a rede pública usa o exame, com TSH e T4 livre na investigação e o especialista reservado a situações específicas. A organização muda entre municípios; o passo a passo está em como conseguir exame pelo SUS.

Como conseguir exame pelo SUS

Valor de referência de repasse do SIGTAP: R$ 11,60 (procedimento 02.02.06.038-1, DOSAGEM DE TIROXINA LIVRE (T4 LIVRE)), competência setembro de 2026. É o que o SUS repassa ao prestador que fez o exame, não um valor cobrado do paciente. O que é o valor do SIGTAP.

Onde fazer

Procurando a cidade mais próxima pela sua conexão...

Estabelecimentos de laboratório clínico do cadastro nacional (CNES), com endereço e telefone. O site não agenda: o contato é direto com a unidade, que confirma se faz o exame e qual preparo pede.

Outra cidade?

Exames relacionados

Dúvidas frequentes

T4 livre precisa de jejum?

Depende do laboratório. O hospital universitário da UFCG aconselha 4 horas, o HU-USP pede no mínimo 3 horas para coletas de sangue em geral e a Prefeitura de Belo Horizonte dispensa o jejum para o T4 livre.

Qual a diferença entre T4 livre e T4 total?

O T4 livre mede só a fração da tiroxina que não está ligada às proteínas transportadoras; o T4 total mede o hormônio inteiro. São exames separados nas listas de laboratório, como no manual do hospital universitário da UFCG.

Biotina altera o T4 livre?

Pode alterar. A SBEM-SC explica que, nos imunoensaios competitivos com biotina-estreptavidina, a biotina em dose alta produz T4 livre falsamente elevado. O efeito depende do método, e o suplemento é informado ao laboratório e ao médico.

Quanto tempo demora o resultado do T4 livre?

Em geral, de 1 a 3 dias úteis; no hospital universitário da UFCG, a área de hormônios libera em até 30 horas. O prazo varia por laboratório.

O plano de saúde cobre T4 livre?

A cobertura mínima da ANS costuma se aplicar às segmentações ambulatorial, hospitalar e referência, sem diretriz de utilização. A operadora confirma a segmentação e a carência do seu contrato.

Tem exame de T4 livre pelo SUS?

Tem, gratuito, com código próprio na tabela SIGTAP. O pedido costuma sair de uma consulta na UBS, e a coleta segue a organização da rede do município.

Fontes e revisão

  1. Protocolo SUS: Hipotireoidismo, Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal da Saúde.
  2. Interferência da biotina em testes de função tireoidiana, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Regional Santa Catarina (SBEM-SC).
  3. Manual de orientações de preparo para exames ambulatoriais (MA.UAD.004), Hospital Universitário Júlio Bandeira de Mello (HUJB-UFCG/Ebserh).
  4. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso (2ª edição), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
  5. Instrução de coleta IC BIO 001: sangue, procedimentos gerais, Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
  6. Preparo para exames, Prefeitura de Belo Horizonte, Secretaria Municipal de Saúde.
  7. Atualização do Rol de Procedimentos, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
  8. Prazos para realização de consultas, exames, terapias e internações, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
  9. O que o seu plano de saúde deve cobrir?, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.