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Hemoglobina glicada: preparo, cobertura e onde fazer

Por Redação do Exames Perto. Publicado em (revisão da mesma data).

A hemoglobina glicada (HbA1c) mede a parte da hemoglobina do sangue que está ligada à glicose. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), ela reflete a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses, enquanto a glicemia de jejum retrata o estado de jejum no momento da coleta. Glicada e glicosilada são nomes do mesmo exame; a tabela do SUS usa hemoglobina glicosilada, e também se escreve A1C.

A SBD cita a HbA1c, junto com a glicemia de jejum, entre os primeiros testes do rastreamento de diabetes tipo 2, com a escolha dependendo da disponibilidade local. Onde houver condição técnica e financeira, a SBD recomenda medir as duas na mesma amostra, porque as considera complementares. Quem decide pedir o exame, e quem lê o resultado, é o médico.

Precisa de jejum?

Sem jejum

Jejum em geral dispensado; com glicemia no pedido, 8 horas

Confirme o preparo com o laboratório onde o exame será feito, porque ele varia por metodologia. Nunca suspenda medicamento sem falar com quem prescreveu.

O preparo, item a item

Jejum
A Prefeitura de Belo Horizonte exige jejum só para glicose, triglicérides, ferro sérico, insulina e peptídeo C, o que deixa a HbA1c sem jejum. O HU-USP pede no mínimo 3 horas para coletas de sangue em geral. Como a SBD recomenda colher glicemia e HbA1c juntas em amostra de jejum de 8 a 12 horas, o pedido que traz as duas costuma seguir o jejum da glicemia.
Água
Água pura é liberada durante o jejum nas instruções do HU-USP e da Prefeitura de Belo Horizonte.
Medicamentos
A SBPC/ML cita o salicilato como exemplo de fármaco que pode causar elevação aparente da hemoglobina glicada, por interferência na análise. O uso de qualquer remédio é informado ao laboratório, e mudança de dose ou de horário é decisão de quem prescreveu.
Condições que contam
A SBD lista situações em que a HbA1c pode não corresponder à glicemia real: variantes de hemoglobina e hemoglobinopatias, gestação e puerpério, anemias, transfusões de sangue, uso de antirretrovirais, doença renal crônica e uso de eritropoetina. Essas condições costumam ser informadas no atendimento.
O que levar
Documento de identidade com foto e o pedido médico. Se o pedido tiver glicemia de jejum, vale o horário da última refeição anotado.
Mais sobre este preparo

Como é feito

É uma coleta de sangue venoso, em geral na dobra do cotovelo, feita em poucos minutos, sem sedação nem contraste. A sensação costuma ser a de uma picada. A SBPC/ML recomenda soltar o garrote em até 1 minuto e, depois da retirada da agulha, comprimir o local de 1 a 2 minutos para evitar hematoma.

A SBD informa que a análise da HbA1c foi padronizada mundialmente pelo método de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC, na sigla em inglês) e que a validação do método precisa ser certificada pelo National Glycohemoglobin Standardization Program (NGSP), padrão ligado ao estudo Diabetes Control and Complications Trial (DCCT).

Como o exame retrata uma média de meses, a SBD observa que ele tem reprodutibilidade maior que a glicemia de jejum. Em contrapartida, custa mais, exige equipamento e reagentes mais caros, padronização em larga escala e profissional treinado, e não leva em conta a variação individual na glicação das proteínas. A SBD aceita a glicemia de jejum isolada no rastreamento inicial quando algum fator interfere na HbA1c ou quando o local não tem condição técnica e financeira para ela.

A HbA1c não substitui a curva glicêmica, o teste com sobrecarga de glicose por via oral, que a SBD descreve como mais demorado e desconfortável, porém mais sensível. São exames diferentes, com preparos diferentes.

Prazo do resultado

Em geral, de 1 a 3 dias úteis; o prazo varia por unidade e por método de análise.

Tipo de estabelecimento

Laboratório clínico ou posto de coleta; em geral sem agendamento, mas o horário de coleta segue a rotina de cada unidade.

Cobertura pelo plano

Consta no Rol da ANS

Versão consultada: RN 465/2021, atualizada até a RN 678/2026, de 1º de setembro de 2026.

Segmentação em que a cobertura mínima se aplica: ambulatorial, hospitalar com obstetrícia, hospitalar sem obstetrícia e referência.

Termo no Rol: Hemoglobina glicosilada.

Para a hemoglobina glicada, a cobertura mínima definida pela ANS costuma se aplicar às segmentações ambulatorial, hospitalar com ou sem obstetrícia e referência. Na correlação oficial entre o Rol e a tabela TUSS, o item se liga a dois códigos: hemoglobina glicada A1 total e hemoglobina glicada fração A1c. A regra geral, válida para planos contratados a partir de 2 de janeiro de 1999 e para os adaptados à lei, está em o Rol da ANS.

Não há diretriz de utilização da ANS para este exame. Depois da carência, a ANS fixa em 3 dias úteis o prazo máximo para a operadora garantir exame em laboratório de análises clínicas em regime ambulatorial, na rede credenciada. O contrato e a operadora dizem qual é a sua segmentação e onde fazer.

Fonte: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. Veja também o que é o Rol da ANS e o caminho quando o plano nega o exame.

Consta no Rol da ANS, RN 465/2021, atualizada até a RN 678/2026, de 1º de setembro de 2026. Cobertura mínima obrigatória está sujeita à segmentação do plano, à carência e, quando houver, à diretriz de utilização. Consulte sua operadora.

Pelo SUS

Gratuito para o paciente

Pelo SUS, o exame é gratuito para o paciente. Ele tem procedimento próprio na tabela SIGTAP, com o nome oficial DOSAGEM DE HEMOGLOBINA GLICOSILADA, entre os exames bioquímicos. O pedido costuma sair de uma consulta na UBS, que o Ministério da Saúde descreve como a principal porta de entrada do SUS; a coleta de sangue está entre os procedimentos da Carteira de Serviços da Atenção Primária.

A coleta é feita na própria unidade ou no laboratório de referência do município, e a oferta segue a organização da rede local. A própria SBD reconhece que a HbA1c exige mais estrutura que a glicemia e por isso nem todo local tem as mesmas condições. O caminho geral está em como conseguir exame pelo SUS.

Como conseguir exame pelo SUS

Valor de referência de repasse do SIGTAP: R$ 7,86 (procedimento 02.02.01.050-3, DOSAGEM DE HEMOGLOBINA GLICOSILADA), competência setembro de 2026. É o que o SUS repassa ao prestador que fez o exame, não um valor cobrado do paciente. O que é o valor do SIGTAP.

Onde fazer

Procurando a cidade mais próxima pela sua conexão...

Estabelecimentos de laboratório clínico do cadastro nacional (CNES), com endereço e telefone. O site não agenda: o contato é direto com a unidade, que confirma se faz o exame e qual preparo pede.

Outra cidade?

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Dúvidas frequentes

Hemoglobina glicada precisa de jejum?

Em geral não é exigido: a Prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, não lista a HbA1c entre os exames com jejum obrigatório. Quando vem junto com a glicemia de jejum no mesmo pedido, a coleta costuma seguir o jejum de 8 horas da glicemia.

A hemoglobina glicada mostra a glicose de quantos meses?

Segundo a SBD, a HbA1c reflete a glicemia média ao longo de 2 a 3 meses. A glicemia de jejum, em comparação, retrata o estado de jejum no momento da coleta.

Glicada e glicosilada são o mesmo exame?

São. Hemoglobina glicada, glicosilada, glicohemoglobina, HbA1c e A1C são nomes do mesmo exame. A tabela do SUS usa hemoglobina glicosilada.

Anemia ou gestação alteram a hemoglobina glicada?

A SBD inclui anemias, gestação e puerpério, hemoglobinopatias, transfusões e doença renal crônica entre as situações em que a HbA1c pode não corresponder à glicemia real. Por isso essas condições costumam ser informadas no atendimento, e a leitura do laudo é do médico.

O plano de saúde cobre hemoglobina glicada?

A cobertura mínima da ANS costuma se aplicar às segmentações ambulatorial, hospitalar e referência, sem diretriz de utilização para este exame. Carência, rede e reembolso dependem do contrato; a operadora confirma o seu caso.

Tem hemoglobina glicada pelo SUS?

Tem, gratuita para o paciente, com código próprio na tabela SIGTAP. O pedido costuma sair de uma consulta na UBS, e a oferta depende da organização da rede do município.

Fontes e revisão

  1. Diagnóstico de diabetes mellitus (Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
  2. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso (2ª edição), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
  3. Instrução de coleta IC BIO 001: sangue, procedimentos gerais, Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
  4. Preparo para exames, Prefeitura de Belo Horizonte, Secretaria Municipal de Saúde.
  5. Atenção Primária, Ministério da Saúde.
  6. Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde (CaSAPS): versão profissionais de saúde e gestores, Ministério da Saúde.
  7. Prazos para realização de consultas, exames, terapias e internações, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
  8. Atualização do Rol de Procedimentos, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.