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Claustrofobia na ressonância magnética
A resposta
Claustrofobia na ressonância é o medo intenso de ficar dentro do túnel do aparelho, e não é rara: um estudo publicado na revista Radiologia Brasileira cita incidência relatada entre 2% e 15% dos exames. Para quem tem esse medo existem alternativas, como aparelhos de campo aberto ou de túnel mais largo, a presença de acompanhante quando o serviço permite e a sedação ou anestesia, que é avaliada e feita pela equipe médica.
Por que o exame incomoda
A ressonância junta três coisas que costumam provocar ansiedade: espaço estreito, imobilidade e barulho. O túnel dos aparelhos convencionais tem, em geral, de 60 a 70 centímetros de diâmetro, segundo o capítulo de ressonância do e-book traduzido pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). O mesmo material situa o ruído do exame perto de 130 decibéis, o que torna obrigatória a proteção auditiva, e lista a claustrofobia entre as restrições do método.
O tempo também pesa. O procedimento do HC-UFTM informa que cada região examinada leva entre 20 e 40 minutos e que o paciente não pode se mexer durante o exame, para não prejudicar as imagens. O estudo da Radiologia Brasileira observa que a claustrofobia parece mais frequente em alguns tipos de exame, como a ressonância de crânio, pela posição do paciente dentro do aparelho.
Num levantamento com pessoas claustrofóbicas feito por pesquisadoras da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, 82,3% apontaram a configuração do equipamento como a principal dificuldade, seguida da imobilidade, com 62,9%, e do ruído, com 14,5%.
O que o serviço oferece durante o exame
Os serviços têm recursos padrão para quem fica ansioso. O IPSEMG descreve que o paciente é observado durante todo o exame e fica com uma campainha na mão para chamar o técnico ou se comunicar, que o túnel é aberto nas duas extremidades e que há protetor auricular. O mesmo levantamento de Lisboa registra estratégias usadas pelos técnicos de radiologia, como uma visita prévia à sala com explicação do exame, a entrada de acompanhante e protocolos com tempo reduzido.
Há também instrumentos para medir o medo antes do exame. Uma dissertação da Escola de Enfermagem da USP, de 2013, avaliou a versão brasileira do Questionário de Claustrofobia em 300 pacientes submetidos à ressonância num hospital de São Paulo e concluiu que o instrumento é confiável e válido para medir a claustrofobia nesse ambiente. Nem todo serviço usa questionário, mas avisar sobre a claustrofobia no agendamento permite que o serviço se organize.
Aparelho aberto e túnel mais largo
Existem equipamentos de ressonância de campo aberto e aparelhos de túnel fechado com diâmetro maior. No levantamento de Lisboa, 75,8% das pessoas claustrofóbicas que conseguiram concluir o exame citaram a configuração de campo aberto do equipamento como fator do sucesso. O e-book do CBR também menciona que já existem aparelhos com túnel maior.
Um exemplo de túnel largo na rede pública é o do Hospital de Clínicas da Unicamp, que apresentou em 2023 um aparelho de 1,5 tesla com 80 centímetros de diâmetro interno, descrito pela universidade como o primeiro do mundo com essa medida e pensado para pacientes claustrofóbicos, ansiosos e mais corpulentos. A oferta desses equipamentos varia muito por cidade e por serviço, e a informação sobre o tipo de aparelho é dada pelo próprio serviço.
Sedação e anestesia: decisão da equipe
Quando a ansiedade impede o exame, uma saída é fazer a ressonância com sedação ou anestesia. O procedimento do HC-UFTM inclui a claustrofobia entre as situações em que o exame pode ser feito com anestesia, ao lado de crianças pequenas, pessoas agitadas ou desorientadas e quem não conseguiu fazer o exame sem anestesia. O tipo de anestesia, geral ou balanceada, é decidido pelo anestesiologista.
A sedação tem logística própria. O artigo da Radiologia Brasileira lembra que ela exige anestesiologista, jejum, avaliação pré-anestésica em idosos ou em quem tem outras doenças e monitoração durante o exame. No HC-UFTM, os pré-requisitos incluem relatório de consulta pré-anestésica para quem vem de outra instituição, termos de consentimento assinados e acompanhante maior de idade para menores de 18 anos. O HC-UFG também exige jejum conforme o protocolo anestésico para exames com sedação.
Pela Lei nº 12.842/2013, a execução de sedação profunda e de anestesia geral é atividade privativa do médico. O IPSEMG orienta que, em caso de paciente não cooperativo ou agitado, o serviço de radiologia seja contatado para avaliar o agendamento com sedação. Este site não orienta sedação: a indicação, o preparo e os medicamentos são definidos pela equipe.
Acompanhante na sala do exame
A Resolução RDC nº 611/2022 da Anvisa, que inclui os serviços de ressonância magnética entre os serviços de radiologia diagnóstica, diz que a presença de acompanhante durante os procedimentos só ocorre quando for imprescindível para conter, confortar ou ajudar o paciente. Cada serviço aplica essa regra no seu protocolo, e a pessoa que entra na sala passa pela mesma triagem de metal que o paciente, porque o ímã do aparelho fica sempre ligado.
No levantamento de Lisboa, 24,2% das pessoas claustrofóbicas que concluíram o exame citaram a presença de acompanhante como fator que ajudou, a mesma proporção que citou a atitude do técnico de radiologia.
Outras abordagens estudadas
Um estudo publicado na Radiologia Brasileira em 2010 testou a hipnose em 20 pacientes claustrofóbicos que já tinham indicação de sedação. Dos 16 pacientes sensíveis à técnica que compareceram ao exame, 15 fizeram a ressonância em transe hipnótico, sem crise de claustrofobia e sem medicamentos para sedação. É um estudo pequeno, feito num único hospital e sem grupo de comparação, e a técnica não está disponível na maior parte dos serviços.
O resultado mostra que existem caminhos além do medicamento, mas a escolha do caminho depende do serviço e da avaliação médica. A diferença entre ressonância e tomografia, que costuma ser mais rápida, está em diferença entre tomografia e ressonância magnética. Quem vai fazer o exame com contraste encontra os cuidados em ressonância com contraste é perigoso?.
- No agendamento: informar a claustrofobia e perguntar se há aparelho aberto ou de túnel largo.
- Sedação: se for o caso, o serviço informa jejum, avaliação pré-anestésica e necessidade de acompanhante.
- Acompanhante na sala: depende da regra do serviço e passa pela triagem de metal.
- Pedido médico: veja quanto tempo vale um pedido de exame.
- Preparo geral do exame: preparo para ressonância magnética.
- Pela rede pública, o exame passa pela regulação: veja como conseguir exame pelo SUS.
- Exemplos de exame: ressonância magnética da coluna lombar.
Exames citados
Leia também
Dúvidas frequentes
Quem tem claustrofobia pode fazer ressonância?
Em geral, sim, com alguma adaptação. Existem aparelhos de campo aberto ou de túnel largo, recursos como campainha e visita prévia à sala, acompanhante quando o serviço permite e, quando necessário, sedação ou anestesia avaliadas pela equipe médica.
O que é ressonância de túnel largo?
É um aparelho de túnel fechado com diâmetro maior que o convencional, que costuma ter de 60 a 70 centímetros. O Hospital de Clínicas da Unicamp, por exemplo, apresentou em 2023 um aparelho com 80 centímetros de diâmetro interno, voltado a pacientes claustrofóbicos, ansiosos e mais corpulentos.
Pode ter acompanhante na ressonância?
Depende do serviço. A RDC 611/2022 da Anvisa diz que o acompanhante só participa quando é imprescindível para conter, confortar ou ajudar o paciente, e quem entra na sala passa pela triagem de metal.
Ressonância com sedação precisa de jejum?
Nos protocolos do HC-UFG e do HC-UFTM, sim: o jejum segue o protocolo anestésico. O serviço informa o tempo de jejum e os demais preparos, como a avaliação pré-anestésica.
Quanto tempo dura a ressonância?
O procedimento do HC-UFTM informa entre 20 e 40 minutos por região examinada, e o IPSEMG fala em 30 minutos ou mais. O tempo no serviço é maior: o IPSEMG informa permanência mínima de uma hora no hospital.
Fontes e revisão
- Hipnose para controle de claustrofobia em exames de ressonância magnética (Radiologia Brasileira, 2010), Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), revista Radiologia Brasileira, via SciELO.
- e-Book Educação em Radiologia na Graduação, capítulo: Ressonância Magnética, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), tradução do material da European Society of Radiology.
- POP.HC-UFTM-UDIDE.002: diretrizes para solicitação e realização de ressonância magnética, Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM/Ebserh).
- Preparo para exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG/Ebserh).
- Ressonância magnética: descrição e orientações para o exame, Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG).
- HC recebe equipamento de ressonância magnética de última geração, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
- Exames de ressonância magnética em utentes claustrofóbicos: identificação de estratégias facilitadoras, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, Instituto Politécnico de Lisboa (repositório institucional).
- Validação do questionário de claustrofobia em pacientes submetidos à ressonância magnética (dissertação, 2013), Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).
- Resolução RDC nº 611, de 9 de março de 2022: requisitos sanitários para serviços de radiologia diagnóstica ou intervencionista, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
- Lei nº 12.842, de 10 de julho de 2013: dispõe sobre o exercício da Medicina, Presidência da República, Planalto.
Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.