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Por que o laboratório pede para repetir exame de sangue
A resposta
O pedido de nova coleta costuma ter motivo técnico, ligado à amostra: sangue hemolisado, amostra coagulada, volume insuficiente para o tubo, problema de identificação ou de transporte. São as falhas mais citadas nas recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). A Anvisa exige que cada laboratório defina por escrito os critérios que fazem uma amostra ser aceita ou rejeitada, e uma amostra fora desses critérios não gera um resultado confiável.
A fase antes da análise, onde está a maior parte das falhas
A Resolução RDC nº 978/2025 da Anvisa chama de fase pré-analítica o trecho que começa com a solicitação do exame, passa pela obtenção do material e termina quando a análise começa. É nela que acontecem o cadastro, a coleta, a identificação dos tubos, o armazenamento e o transporte até o equipamento.
As recomendações da SBPC/ML para coleta de sangue venoso afirmam que as variáveis dessa fase respondem por cerca de 60% das falhas do laboratório. As mais evidentes, segundo o documento, são amostra insuficiente, amostra incorreta, amostra inadequada, identificação incorreta e problemas no acondicionamento e no transporte.
Por isso a norma exige critérios claros. A RDC 978 diz que o serviço que executa os exames deve definir critérios para aceitação, rejeição, identificação e realização de exames em material biológico. A SBPC/ML explica o motivo: evitar que amostras com problema sejam analisadas e gerem um resultado que não pode ser interpretado corretamente.
Hemólise: quando as células se rompem no tubo
Hemólise é a ruptura das células do sangue, com liberação do seu conteúdo no soro ou no plasma. A SBPC/ML descreve que ela costuma ser reconhecida pela cor avermelhada do soro depois da centrifugação, mas que pode interferir em alguns exames mesmo em concentrações invisíveis a olho nu. Uma amostra hemolisada pode ter o resultado de alguns exames alterado por causa da coleta, e não do organismo.
A maior parte das causas está no processo. Entre as boas práticas listadas pela SBPC/ML para evitar hemólise estão deixar o álcool secar antes da punção, evitar agulhas de calibre muito fino quando não há necessidade, não colher de área com hematoma, encher o tubo com o volume certo, homogeneizar o tubo com inversões suaves, sem chacoalhar, e não transferir sangue de seringa para tubo de forma brusca. Armazenamento prolongado em geladeira e centrifugação antes da hora também aparecem na lista.
Coágulo no tubo e proporção entre sangue e aditivo
Vários tubos de coleta contêm anticoagulante ou ativador de coágulo em quantidade calculada para o volume de sangue indicado no rótulo. A SBPC/ML explica que o vácuo do tubo é calibrado para puxar o volume certo e que tubo com sangue a menos ou a mais altera a proporção entre sangue e aditivo, o que pode levar a hemólise e a resultados incorretos.
Nos tubos com anticoagulante, a falta de homogeneização logo após a coleta favorece a formação de microcoágulos. Para os testes de coagulação, o documento lista como causas de rejeição a amostra coagulada, o anticoagulante errado, a proporção fora do tolerado, a identificação errada e o tubo sem identificação. Nesses casos, a amostra é rejeitada.
Volume insuficiente e veia difícil
Às vezes o sangue para de fluir antes de encher todos os tubos, e alguns exames ficam sem material. Pessoas com veias finas, crianças, idosos e quem faz tratamentos que dificultam o acesso venoso estão entre os casos descritos pela SBPC/ML como de coleta mais difícil. O documento também recomenda que o mesmo profissional não tente mais de duas punções; se possível, outra pessoa é chamada para completar a coleta.
A SBPC/ML trata ainda do outro lado do problema: em hospitais e em crianças, o volume colhido deve ser o mínimo necessário, evitando exames redundantes e recoletas indevidas. Uma boa prática citada é o laboratório definir o volume mínimo de cada exame.
Identificação da amostra
Uma amostra sem identificação confiável não pode ser usada, porque não há como garantir de quem é o sangue. A RDC 978 exige documento válido com foto no cadastro e diz que a identificação do material deve conter, no mínimo, nome do paciente, data de nascimento ou idade, tipo de material e número de registro. A SBPC/ML recomenda a identificação positiva do paciente e dos tubos, com o paciente dizendo o nome completo para conferência do pedido e das etiquetas.
Amostra identificada de forma errada e tubo sem identificação estão entre os motivos de rejeição descritos pela SBPC/ML, e o documento orienta relatar ao supervisor do laboratório qualquer discrepância de informação. Nesses casos, a amostra é rejeitada e uma nova coleta se torna necessária.
Preparo que não combinou com o exame
Outra razão é o preparo. O Hospital Universitário da USP lista, nas dúvidas frequentes da coleta, fatores que podem alterar resultados: jejum muito prolongado, exercício físico sem período de repouso antes da coleta, bebida alcoólica nos dias anteriores, cigarro antes de alguns exames e suplementos. Por isso a SBPC/ML inclui, entre os passos antes da coleta, verificar se as condições de preparo e o jejum estão adequados.
O preparo de cada exame está nas páginas de jejum para exame de sangue, pode beber álcool antes do exame de sangue e pode beber água em jejum. Sobre medicamentos, o HU-USP orienta informar ao laboratório tudo o que está em uso; a conduta com cada remédio é combinada com quem prescreveu, como explica pode tomar remédio antes do exame de sangue.
Amostra com restrição e laudo corrigido
Nem toda amostra com problema é descartada. A SBPC/ML lembra que amostras difíceis de obter de novo, como o líquor, podem ser analisadas mesmo com restrição, desde que a restrição apareça no resultado. A RDC 978 diz o mesmo para qualquer exame: quando o laboratório aceita material biológico com restrição, essa condição deve constar no laudo.
Pode acontecer também de o laboratório encontrar um erro depois de liberar o resultado. Nesse caso, a RDC 978 manda fazer a correção em um novo laudo, deixando clara a retificação, e, se a alteração for relevante e o laudo já tiver sido entregue, entrar em contato com o paciente ou responsável e registrar esse contato.
- Nova coleta não é resultado: a amostra rejeitada, em geral, nem chega a gerar um número.
- O motivo pode ser perguntado ao laboratório, que tem os critérios de rejeição por escrito.
- Se a nova coleta coincidir com um pedido antigo, veja quanto tempo vale um pedido de exame; exame feito por conta própria está em posso fazer exame sem pedido médico?.
- Exames como o hemograma completo e a glicemia de jejum usam tubos com aditivos diferentes.
- O que o laudo informa está em resultado de exame alterado: o que o laudo diz e o que não diz.
Exames citados
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Dúvidas frequentes
O laboratório pediu para repetir o exame: é porque deu alterado?
Não necessariamente. A nova coleta costuma ter motivo técnico, como hemólise, coágulo, volume insuficiente ou problema de identificação, e uma amostra rejeitada em geral nem é analisada. O laboratório informa o motivo, e a leitura de qualquer resultado é do médico que pediu o exame.
O que é amostra hemolisada?
É a amostra em que as células do sangue se romperam e liberaram seu conteúdo no soro ou no plasma. Segundo a SBPC/ML, isso pode interferir em alguns exames, mesmo quando não é visível, e a maior parte das causas está na técnica de coleta e no manuseio do tubo.
Por que o sangue coagula no tubo?
Nos tubos com anticoagulante, o sangue precisa ser misturado por inversões suaves logo após a coleta. A SBPC/ML explica que a falta de homogeneização e a proporção errada entre sangue e aditivo favorecem a formação de microcoágulos, e a amostra coagulada é rejeitada em testes de coagulação.
Quantas vezes podem tentar puncionar a veia?
A SBPC/ML recomenda que o mesmo profissional não tente mais de duas punções. Se possível, outra pessoa é chamada para completar a coleta, ou o médico é avisado.
Fontes e revisão
- Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso (2ª edição), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
- Resolução RDC nº 978, de 6 de junho de 2025: funcionamento de serviços que executam exames de análises clínicas, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
- Coleta: dúvidas frequentes, Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP).
Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.