Exames Perto

Conteúdo

Ressonância com contraste é perigoso?

Por Redação do Exames Perto. Publicado em (revisão da mesma data).

A resposta

A ressonância com contraste é um exame de rotina nos serviços de imagem, e as reações ao gadolínio são pouco frequentes, mas o procedimento não é isento de risco. Por isso, antes da injeção, o serviço pergunta sobre reações anteriores, alergias, função dos rins e gravidez, e a decisão de usar o contraste é do médico radiologista, caso a caso. Este texto explica o que é o contraste e o que as diretrizes descrevem; ele não avalia o risco de ninguém em particular.

O que é o contraste da ressonância

O contraste mais usado na ressonância magnética é à base de gadolínio, um metal que, preso a uma molécula que o estabiliza, altera o sinal dos tecidos por onde passa. O IPSEMG descreve a injeção na veia como um recurso para melhorar a detecção e a caracterização dos achados. O capítulo de ressonância do e-book traduzido pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) resume que os agentes de contraste servem para melhorar a visualização de alterações e que são principalmente à base de gadolínio.

Existem dois grandes grupos de moléculas: as lineares e as macrocíclicas, estas mais estáveis. A diferença importa porque vários cuidados das diretrizes dependem do tipo de gadolínio usado, e a escolha é do serviço. As diretrizes do CBR para contraste intravenoso dizem que todo contraste deve ser prescrito e que a decisão de injetar deve ser registrada e assinada pelo radiologista antes da administração.

Nem toda ressonância usa contraste: o IPSEMG informa que a injeção pode ser necessária, conforme o exame, e o pedido médico e o protocolo do serviço definem quando ela entra. A diferença entre os métodos de imagem está em diferença entre tomografia e ressonância magnética.

Com que frequência há reação

As diretrizes do CBR informam que as reações adversas agudas ao gadolínio ficam em torno de 0,07% a 0,3% das aplicações, e que as reações graves são raras, em torno de 0,003% a 0,008%. Para comparação, o mesmo documento cita 0,7% a 3% de reações agudas com os contrastes iodados não iônicos usados na tomografia. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) estima a anafilaxia por gadolínio em 1 caso para cada 10 mil a 100 mil aplicações.

As reações são classificadas em leves, moderadas e graves. Pela mesma diretriz, o serviço que injeta contraste tem de contar com médico treinado disponível, equipe preparada para atendimento imediato e material de emergência na sala, e o paciente fica em repouso sob supervisão nos primeiros 20 a 30 minutos após a injeção, mesmo sem nenhuma intercorrência. O que é a reação alérgica ao contraste e o que muda para quem já teve uma está em alergia a contraste.

Rins e fibrose sistêmica nefrogênica

O ponto de atenção mais citado para o gadolínio é a fibrose sistêmica nefrogênica, uma doença rara e grave que pode ocorrer em pessoas com a função dos rins muito comprometida expostas a contrastes de gadolínio menos estáveis. O capítulo sobre meios de contraste do e-book do CBR aponta como maiores fatores de risco a função renal muito reduzida e a diálise, e diz que o risco é maior com os complexos lineares e aumenta com a dose e com exposições repetidas.

Por isso os serviços avaliam a função renal antes da injeção. O procedimento do HC-UFTM exige o resultado de creatinina antes de exames contrastados em pessoas com doença renal crônica, diabetes, hipertensão, uso de medicamentos que afetam os rins, idosos e internados, e registra que o gadolínio é evitado na insuficiência renal grave. As diretrizes do CBR recomendam, entre as medidas de prevenção, confirmar a função renal, discutir alternativas de imagem, usar a menor dose necessária e preferir os contrastes macrocíclicos. O prazo aceito para essa creatinina varia entre serviços, como explica quanto tempo vale um pedido de exame.

Depósito de gadolínio no cérebro: o que se sabe

Desde 2014, estudos descrevem que pequenas quantidades de gadolínio podem ficar depositadas no cérebro e em outros tecidos, como osso, fígado e pele, depois de várias aplicações, mesmo em pessoas com rins normais. O depósito é maior com os contrastes lineares. Foi por isso que a Agência Europeia de Medicamentos recomendou interromper ou restringir o uso dos agentes lineares, como registra o e-book do CBR.

O mesmo capítulo afirma que, embora o acúmulo esteja bem descrito, não há evidências de efeitos clínicos a curto ou longo prazo, e recomenda o princípio da precaução: reduzir a quantidade e a frequência das injeções sempre que possível. As diretrizes do CBR acrescentam que, até o momento, não foi relatada alteração nos tecidos atribuída ao depósito. É um tema em acompanhamento pela literatura científica, e as recomendações podem mudar.

Gravidez e amamentação

Na gravidez, as diretrizes do CBR dizem que a administração de gadolínio não é recomendada em nenhuma fase; quando há indicação clínica muito forte, a orientação é usar um contraste macrocíclico na menor dose possível, discutir a necessidade com o obstetra e a paciente e usar termo de consentimento. O procedimento do HC-UFTM registra que a ressonância em gestantes ocorre preferencialmente após a 14ª semana e que o uso de contraste é avaliado caso a caso pelo radiologista, com termo assinado pela gestante, pelo médico que pediu o exame e pelo radiologista.

Na amamentação, as fontes divergem, e a diferença tem a ver com o tipo de gadolínio. As diretrizes do CBR dizem que a lactação pode ser mantida quando se usa contraste macrocíclico, e que se recomenda interromper por 24 horas, com leite armazenado antes, quando o agente for de risco alto ou médio. O protocolo do HC-UFTM registra que não há necessidade de interromper a amamentação após o gadolínio. Já a orientação do IPSEMG, de 2016, pede reserva de leite para as 48 horas seguintes, por precaução. A conduta de cada caso é combinada com o serviço e com o médico.

O que o serviço pergunta antes da injeção

As diretrizes do CBR listam as informações que devem ser obtidas antes de qualquer contraste, de preferência quando o exame é pedido e sempre conferidas no serviço. A lista inclui identificação, idade e histórico de reações anteriores a contraste, asma, problema renal, diabetes, desidratação, doenças do sangue, doença cardiovascular, hipertireoidismo, alergias e uso de outros medicamentos. Havendo fator de risco, a decisão sobre administrar o contraste é exclusivamente do radiologista que supervisiona o procedimento.

O paciente é informado sobre o procedimento, e o termo de consentimento fica disponível no serviço. Na ressonância, somam-se as perguntas sobre metal no corpo, implantes e dispositivos, que valem com ou sem contraste; os cuidados gerais estão em preparo para ressonância magnética. Pelo plano de saúde, a cobertura segue as regras explicadas em o que é o rol da ANS. Quem tem medo do túnel encontra as alternativas em claustrofobia na ressonância magnética.

  • Reação anterior a contraste, com o nome do produto, se conhecido.
  • Alergias, principalmente a medicamentos, e asma.
  • Doença renal, diabetes, hipertensão e resultado recente de creatinina, quando o serviço pede.
  • Gravidez ou suspeita de gravidez, e amamentação.
  • Implantes, marca-passo, clipes, próteses e outros objetos metálicos no corpo.
  • Medicamentos em uso: a conduta com eles é combinada com quem prescreveu e com o serviço.

Exames citados

Leia também

Dúvidas frequentes

O contraste da ressonância faz mal aos rins?

O risco renal descrito para o gadolínio é a fibrose sistêmica nefrogênica, doença rara que atinge pessoas com função renal muito comprometida ou em diálise. Por isso os serviços avaliam a creatinina antes, e a decisão de injetar é do radiologista.

Quem tem alergia a camarão pode fazer ressonância com contraste?

A ASBAI afirma que a alergia a frutos do mar não aumenta o risco de reação ao contraste, porque a alergia ao camarão é causada por proteínas do alimento, que não existem no contraste. O serviço pergunta sobre todas as alergias e avalia o histórico completo.

Grávida pode fazer ressonância com contraste?

As diretrizes do CBR dizem que o gadolínio não é recomendado em nenhuma fase da gravidez. Quando há indicação clínica muito forte, a decisão envolve o obstetra, a paciente e o radiologista, com termo de consentimento.

O gadolínio fica no corpo?

Estudos desde 2014 descrevem depósito de pequenas quantidades no cérebro e em outros tecidos após várias aplicações, maior com os contrastes lineares. O e-book do CBR afirma que não há evidências de efeitos clínicos, e as diretrizes recomendam reduzir quantidade e frequência das injeções quando possível.

Quanto tempo o paciente fica no serviço depois do contraste?

As diretrizes do CBR recomendam que o paciente permaneça em repouso, sob supervisão, nos primeiros 20 a 30 minutos após a injeção, mesmo sem intercorrência. O tempo total varia conforme o exame e o serviço.

Fontes e revisão

  1. Diretrizes para o uso de meios de contraste intravenosos, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).
  2. e-Book Educação em Radiologia na Graduação, capítulo: Meios de Contraste, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), tradução do material da European Society of Radiology.
  3. e-Book Educação em Radiologia na Graduação, capítulo: Ressonância Magnética, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), tradução do material da European Society of Radiology.
  4. POP.HC-UFTM-UDIDE.002: diretrizes para solicitação e realização de ressonância magnética, Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM/Ebserh).
  5. Ressonância magnética: descrição e orientações para o exame, Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG).
  6. É verdade que contraste pode causar anafilaxia?, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
  7. Alergia a camarão x contraste: um mito que precisa ser derrubado, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.