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Teste do pezinho: o que detecta

Por Redação do Exames Perto. Publicado em (revisão da mesma data).

A resposta

O teste do pezinho do SUS procura, no sangue do recém-nascido, doenças congênitas que podem não dar sinal nos primeiros dias, como a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito e a doença falciforme. Ele é a parte biológica do Programa Nacional de Triagem Neonatal, instituído pelo Ministério da Saúde em 6 de junho de 2001. A Lei nº 14.154/2021 definiu um rol mínimo de doenças e a ampliação do teste em cinco etapas, com a regulamentação e o ritmo de cada etapa a cargo do Ministério da Saúde. Este texto descreve o programa e a lei; a conduta em cada caso é da equipe de saúde.

O que é a triagem neonatal biológica

Segundo o Ministério da Saúde, a triagem neonatal biológica é feita com exames no sangue colhido em papel-filtro, o chamado sangue seco, obtido por punção no calcanhar do recém-nascido. Daí o nome popular. A triagem tem a função de identificar precocemente quais bebês podem ter alguma das doenças do programa, para que o diagnóstico seja confirmado e o tratamento comece o quanto antes.

Triagem não é diagnóstico. O teste separa os bebês com resultado que pede investigação, e esses casos são buscados pelos serviços de referência do programa, os SRTN, em conjunto com a atenção primária, para exames de confirmação. A leitura de qualquer resultado é da equipe que acompanha o bebê.

O Ministério da Saúde descreve o programa como dever do Estado e direito das famílias, devendo ser realizado em todos os recém-nascidos vivos do país. Na Carteira de Serviços da Atenção Primária, a triagem neonatal aparece entre as ações de rastreamento em saúde da criança. Outros rastreamentos do SUS, com lógica parecida de população e método definidos em diretriz, estão em preventivo de quanto em quanto tempo, mamografia a partir de que idade e exames de check up.

Doenças que o teste do SUS procura

A página do Programa Nacional de Triagem Neonatal no portal do Ministério da Saúde, consultada em setembro de 2026, lista as doenças incluídas no teste do SUS regulamentado pelo ministério. A etapa 1 da Lei nº 14.154/2021 também traz a fibrose cística, e a Agência Senado registrou, na sanção da lei, que o teste do SUS já incluía essa doença em 2021.

  • Fenilcetonúria: doença genética em que, na maioria dos casos, falta uma enzima do fígado, a fenilalanina hidroxilase.
  • Hipotireoidismo congênito primário: diminuição ou ausência de hormônios da tireoide desde o nascimento.
  • Doença falciforme e outras hemoglobinopatias: alterações hereditárias da hemoglobina.
  • Hiperplasia adrenal congênita: conjunto de doenças genéticas em que há deficiência na produção do hormônio cortisol.
  • Deficiência de biotinidase: erro inato do metabolismo tratável, que afeta a reciclagem da biotina.
  • Toxoplasmose congênita: infecção pelo protozoário Toxoplasma gondii transmitida ao bebê na gestação.

A ampliação da Lei 14.154/2021

A Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021, alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para aperfeiçoar o Programa Nacional de Triagem Neonatal, com um rol mínimo de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho. O texto diz que os testes serão disponibilizados pelo SUS, na forma da regulamentação do Ministério da Saúde, com implementação escalonada em cinco etapas. A lei entrou em vigor 365 dias depois de publicada.

A própria lei manda revisar periodicamente a lista de doenças com base em evidências científicas, priorizando as de maior prevalência no país, com protocolo de tratamento aprovado e tratamento incorporado ao SUS. O poder público pode ampliar o rol com base nesses critérios.

  • Etapa 1: fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
  • Etapa 2: galactosemias, aminoacidopatias, distúrbios do ciclo da ureia e distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos.
  • Etapa 3: doenças lisossômicas.
  • Etapa 4: imunodeficiências primárias.
  • Etapa 5: atrofia muscular espinhal.

Em que pé está a ampliação

A lei não fixou datas para cada etapa: deixou o ritmo para a regulamentação do Ministério da Saúde. Em audiência pública na Câmara dos Deputados, em julho de 2022, o diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática do ministério informou que a primeira etapa, com a inclusão da toxoplasmose congênita, estava sendo articulada com os estados e que a segunda etapa dependia de recursos novos. Na mesma audiência, entidades apontaram diferenças regionais na coleta e na cobertura do teste.

Como a implantação depende de cada estado e do financiamento, a lista de doenças efetivamente testadas pode variar de um lugar para outro. A informação da sua região é da secretaria estadual de saúde e da unidade onde a coleta é feita. Este site não acompanha a situação estado a estado.

Quando e onde a coleta acontece no programa

O Ministério da Saúde recomenda que a coleta da primeira amostra ocorra entre 48 horas após o parto e o 5º dia de vida, por causa das características das doenças do programa. Segundo o ministério, a data ideal pode variar com a sensibilidade das tecnologias e as necessidades de cada doença.

Na maioria dos estados, a coleta acontece nas unidades da atenção primária. Em alguns, também é feita em maternidades, casas de parto, comunidades indígenas e quilombolas. O ministério registra que crianças que não fizeram o teste no período neonatal, que vai até o 28º dia de vida, são avaliadas pelo serviço de saúde para orientação e investigação específica.

No SUS, o teste é gratuito, como todo exame pelo sistema. O caminho pela rede pública está em como conseguir exame pelo SUS.

Teste do SUS e teste da rede privada

Laboratórios privados oferecem versões com mais doenças, muitas vezes chamadas de teste do pezinho ampliado ou expandido. Na sanção da lei, a Agência Senado registrou a informação de que o teste da rede particular chega a detectar até 53 doenças, e que o alto custo impede a maior parte da população de fazer essa versão.

A Lei 14.154/2021 também acrescentou ao Estatuto a obrigação de os profissionais de saúde informarem a gestante e os acompanhantes, no pré-natal e no puerpério imediato, sobre a importância do teste do pezinho e sobre as diferenças entre as modalidades oferecidas no SUS e na rede privada. A escolha entre elas é da família, com a equipe que acompanha o bebê.

Quem faz o teste pelo plano de saúde tem a cobertura definida pelo Rol da ANS e pelo contrato, como explica o que é o Rol da ANS. Para escolher laboratório no particular, veja como escolher um bom laboratório. A toxoplasmose na gestação tem página própria, em toxoplasmose.

Exames citados

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Dúvidas frequentes

Quais doenças o teste do pezinho detecta no SUS?

A página do programa no Ministério da Saúde lista fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito primário, doenças falciformes, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose. A etapa 1 da Lei 14.154/2021 inclui ainda a fibrose cística.

Quantas doenças o teste do pezinho ampliado detecta?

Depende do laboratório e da versão. A Agência Senado registrou, em 2021, que o teste da rede particular chegava a até 53 doenças. No SUS, a Lei 14.154/2021 prevê a ampliação em cinco etapas, com 14 grupos de doenças.

Quando o teste do pezinho é feito?

O Ministério da Saúde recomenda que a coleta da primeira amostra ocorra entre 48 horas após o parto e o 5º dia de vida. Crianças que não fizeram o teste no período neonatal são avaliadas pelo serviço de saúde.

O teste do pezinho é gratuito?

Pelo SUS, sim, como todo exame feito pelo sistema. A coleta costuma ocorrer na unidade básica de saúde e, em alguns estados, também na maternidade.

Resultado alterado no teste do pezinho quer dizer que o bebê tem a doença?

O teste é de triagem, não de diagnóstico. Os casos que pedem investigação são chamados pelo serviço de referência para exames de confirmação, e a leitura do resultado é da equipe que acompanha o bebê.

Fontes e revisão

  1. Triagem Neonatal, Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Especializada à Saúde.
  2. Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021, Presidência da República, Planalto.
  3. Sancionada lei que amplia doenças rastreadas em teste do pezinho do SUS, Agência Senado, Senado Federal.
  4. Entidades apontam dificuldades na implementação da lei do teste do pezinho ampliado, Agência Câmara de Notícias, Câmara dos Deputados.
  5. Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde (CaSAPS): versão profissionais de saúde e gestores, Ministério da Saúde.

Última revisão em 28 de setembro de 2026. O conteúdo é revisado ao menos uma vez por ano e sempre que a fonte muda. Veja a política editorial e a fonte dos dados.